Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
1. Introdução à DFC
Obrigatoriedade:
Tornou-se obrigatória a partir de 2008 (Lei 11.638/07).
Obrigatória para companhias abertas e fechadas com PL ≥ R$ 2 milhões.
Facultativa para empresas fechadas com PL < R$ 2 milhões.
Objetivo:
Mostrar a variação de caixa e equivalentes de caixa em um período.
Auxiliar usuários (investidores, credores) a avaliar a capacidade de geração de caixa futura.
2. Conceitos Fundamentais
Regime de Caixa:
DFC utiliza o regime de caixa (entradas e saídas), diferentemente do regime de competência usado na DRÉ.
Caixa e Equivalentes de Caixa:
Incluem: numerário, depósitos bancários, aplicações de liquidez imediata (até 90 dias) e baixo risco de variação de valor.
Exemplos: poupança, aplicações em CDB com resgate rápido.
Excluem-se: aplicações em ações (alto risco de variação).
Cheque Especial:
Considerado parte do caixa, pois é um instrumento de gestão de caixa de curto prazo.
3. Classificação dos Fluxos de Caixa
A DFC divide-se em três fluxos:
a) Atividades Operacionais
Definição: Relacionadas às operações principais da empresa (geradoras de receita).
Exemplos de entradas:
Recebimento de clientes (vendas à vista ou recebimento de duplicatas).
Receita de juros, dividendos, royalties.
Exemplos de saídas:
Pagamento a fornecedores, salários, impostos, despesas operacionais.
Observação: Juros pagos sobre empréstimos são classificados como operacionais (regra principal).
b) Atividades de Investimento
Definição: Relacionadas à aquisição e venda de ativos de longo prazo.
Exemplos:
Compra ou venda de imobilizado, intangível, participações societárias.
Concessão e recebimento de empréstimos a terceiros (não relacionados à atividade-fim).
Observação: Juros recebidos de empréstimos concedidos são operacionais.
c) Atividades de Financiamento
Definição: Relacionadas a recursos de terceiros e próprios.
Exemplos:
Integralização de capital social (em dinheiro).
Recebimento de empréstimos, emissão de debêntures.
Pagamento de dividendos, juros sobre capital próprio, amortização de empréstimos.
Observação: Apenas movimentações que envolvem caixa entram na DFC.
4. Métodos de Elaboração da DFC
a) Método Direto
Fluxo Operacional: Apresenta recebimentos e pagamentos específicos.
Exemplo de estrutura:
(+) Recebimentos de clientes
(-) Pagamentos a fornecedores, salários, impostos, etc.
(=) Fluxo Líquido das Operações
b) Método Indireto
Fluxo Operacional: Parte do lucro líquido e ajusta itens que não afetam o caixa.
Ajustes comuns:
(+) Depreciação, amortização.
(-) Ganhos por equivalência patrimonial, ganhos na venda de ativos.
Ajustes nas variações de estoques, duplicatas a receber, fornecedores, etc.
Fórmula prática:
Ativo: Soma reduções, subtrai aumentos.
Passivo: Soma aumentos, subtrai reduções.
5. Estrutura da DFC (Método Direto)
Fluxo das Atividades Operacionais
Fluxo das Atividades de Investimento
Fluxo das Atividades de Financiamento
Variação Líquida de Caixa = (1) + (2) + (3)
Saldo Inicial de Caixa
Saldo Final de Caixa = Saldo Inicial + Variação Líquida
6. Exemplo Prático (Método Direto)
Cálculo de recebimentos de clientes:
Fórmula: Saldo Inicial de Dupl. a Receber + Vendas a Prazo - Saldo Final = Recebimentos
Exemplo: 8.000 + 50.000 - 15.000 = 43.000
Cálculo de pagamentos a fornecedores:
Fórmula: Saldo Inicial de Fornecedores + Compras a Prazo - Saldo Final = Pagamentos
Exemplo: 20.000 + 26.000 - 27.000 = 19.000
7. Dicas para Provas
Cuidado com:
Despesas financeiras não pagas (não impactam o caixa no período).
Resultado de equivalência patrimonial (não é caixa).
Variações de estoque, duplicatas a receber e fornecedores (afetam o fluxo operacional).
Integralização de capital em bens não entra na DFC (não há caixa).
A entidade deve apresentar os fluxos de caixa das atividades operacionais, usando alternativamente:
- o método direto, segundo o qual as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos são divulgadas; ou
- o método indireto, segundo o qual o lucro líquido ou o prejuízo é ajustado pelos efeitos de transações que não envolvem caixa, pelos efeitos de quaisquer diferimentos ou apropriações por competência sobre recebimentos de caixa ou pagamentos em caixa operacionais passados ou futuros, e pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados com fluxos de caixa das atividades de investimento ou de financiamento.
Introdução à DFC
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é obrigatória pela Lei 6.404/76 (alterada pela Lei 11.638/2007) para companhias abertas e fechadas com patrimônio líquido ≥ R$ 2 milhões na data do balanço; usa regime de caixa (diferente da DRE, que usa competência) e apresenta variação de caixa e equivalentes de caixa, dividida em fluxos operacionais (FCO), de investimento (FCI) e financiamento (FCF). Objetivo: avaliar capacidade de gerar caixa futuro e honrar compromissos. Substitui DOAR; facultativo método direto ou indireto.
Definições Chave
Caixa e equivalentes: Numerário, depósitos bancários (poupança, corrente) e aplicações ≤ 90 dias com alta liquidez e risco insignificante de variação (ex.: não ações); inclui saldos a descoberto de cheque especial (curto prazo).
Fluxos de caixa: Entradas (+) e saídas (-) de caixa/equivalentes.
Atividades operacionais: Receitas/despesas principais (vendas, fornecedores, salários, impostos, juros/dividendos recebidos).
Atividades de investimento: Aquisição/venda de ativo não circulante (imobilizado, intangível, investimentos permanentes) e empréstimos concedidos (principal).
Atividades de financiamento: Empréstimos obtidos/pagamento principal, emissão/resgate ações/debêntures, integralização capital social em dinheiro, dividendos/juros sobre capital próprio.
Estrutura e Métodos
DFC reconcilia saldo inicial/final de caixa: Variação = FCO + FCI + FCF.
Método direto (FCO): Lista recebimentos (clientes, juros/dividendos) menos pagamentos (fornecedores, salários, impostos, despesas operacionais). FCI/FCF iguais em ambos métodos.
Método indireto (FCO): Parte lucro líquido; ajusta: (1) itens não caixa (ex.: + depreciação, - ganho venda imobilizado, ± resultado equivalência patrimonial); (2) variações operacionais (ativo: + reduções/- aumentos; passivo: + aumentos/- reduções). Obrigatória reconciliação lucro/fluxo se usar direto.
A entidade deve apresentar os fluxos de caixa das atividades operacionais, usando alternativamente:
- o método direto, segundo o qual as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos são divulgadas; ou
- o método indireto, segundo o qual o lucro líquido ou o prejuízo é ajustado pelos efeitos de transações que não envolvem caixa, pelos efeitos de quaisquer diferimentos ou apropriações por competência sobre recebimentos de caixa ou pagamentos em caixa operacionais passados ou futuros, e pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados com fluxos de caixa das atividades de investimento ou de financiamento.
Introdução à Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
- Objetivo da Aula: Apresentar teoria e prática da DFC, com foco em conceitos, exemplos e questões. A aula é dividida em blocos de 30-40 minutos, com pausas para dúvidas, e totaliza cerca de 6 horas em duas lives (10 e 17 de dezembro de 2019).
- Dificuldade Comum: Alunos têm dificuldades com o tema, mas a aula visa simplificar com explicações detalhadas e exercícios práticos.
- Sistemática: Inicia com teoria, segue para exemplos práticos, e planeja questões em futuras sessões. Encoraja perguntas nos comentários e revisão do vídeo.
Obrigatoriedade e Legislação
- Tornou-se Obrigatória: A partir de 2008, pela Lei 11.638/2007, que alterou a Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.s).
- Quem Deve Apresentar:
- Todas as companhias abertas.
- Companhias fechadas com patrimônio líquido (PL) ≥ R$ 2 milhões na data do balanço.
- Facultativa para companhias fechadas com PL < R$ 2 milhões.
- Base Normativa: CPC 26 (apresentação das demonstrações contábeis) e CPC 03 (específico para DFC) obrigam a apresentação.
- Substituição: Substituiu a DOAR (Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos), que não é mais obrigatória.
Conceitos Básicos
- Regime Utilizado: Regime de caixa (entradas e saídas efetivas de caixa), diferentemente do regime de competência usado na contabilidade geral e na DRE (Demonstração do Resultado do Exercício).
- Resultado Apresentado: Resultado financeiro (confronto entre entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa, também chamado de "disponibilidades").
- Diferença com DRE: DRE mostra resultado econômico (receitas vs. despesas pelo regime de competência); DFC foca no fluxo de caixa real.
- Funções da DFC: Quando usada com BP (Balanço Patrimonial) e DRE, ajuda usuários (investidores, credores) a avaliar capacidade de gerar caixa positivo, honrar compromissos e prever fluxos futuros.
- Caixa e Equivalentes de Caixa (definição importante):
- Caixa: Numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis (ex.: conta corrente, poupança).
- Equivalentes: Aplicações financeiras de curto prazo (≤ 90 dias), com alta liquidez e risco insignificante de mudança de valor (ex.: não inclui ações, devido à volatilidade).
- Saldos Bancários a Descoberto: Incluídos em caixa e equivalentes se forem de curto prazo (ex.: cheque especial), mas empréstimos bancários regulares são de financiamento.
- Fluxos de Caixa: Entradas (aumentam DFC) e saídas (diminuem DFC) de caixa e equivalentes.
Estrutura da DFC
- Apresentação Geral: Mostra variação de caixa e equivalentes entre saldo inicial (final do período anterior) e saldo final do período atual.
- Divisão em Fluxos: Três categorias principais:
- Fluxos Operacionais.
- Fluxos de Investimento.
- Fluxos de Financiamento.
- Variação Líquida: Soma dos três fluxos + saldo inicial = saldo final.
- Exemplo Simples: Se saldo inicial = R$ 100, final = R$ 120, variação = +R$ 20, explicada pelos três fluxos.
Fluxos de Caixa Detalhados
- Fluxos Operacionais (atividades geradoras de receita principal):
- Exemplos de Entradas: Recebimentos de clientes (vendas à vista ou a prazo recebidas), juros/dividendos recebidos, royalties, comissões.
- Exemplos de Saídas: Pagamentos a fornecedores, salários, impostos (exceto os de investimento/financiamento), despesas operacionais, seguros.
- Observação: Juros recebidos/pagos e dividendos são operacionais por classificação principal (pode ser alternativa em investimento/financiamento para consistência).
- Fluxos de Investimento (aquisição/venda de ativos de longo prazo):
- Exemplos de Entradas: Recebimentos de venda de imobilizado/intangível/investimentos, principal de empréstimos concedidos.
- Exemplos de Saídas: Pagamentos por aquisição de imobilizado/intangível/investimentos, adiantamentos/empréstimos concedidos a terceiros.
- Observação: Exclui equivalentes de caixa; para instituições financeiras, empréstimos concedidos podem ser operacionais.
- Fluxos de Financiamento (mudanças no capital próprio/terceiros):
- Exemplos de Entradas: Recebimentos de empréstimos obtidos, emissão de ações/debêntures, integralização de capital social em dinheiro.
- Exemplos de Saídas: Pagamentos de principal de empréstimos, resgate de ações, dividendos/juros sobre capital próprio.
- Observação: Integralização em bens (não dinheiro) não afeta DFC; juros de empréstimos são operacionais por classificação principal.
Métodos de Elaboração da DFC
- Métodos Gerais: Direto ou Indireto (facultativo); diferença só na apresentação dos fluxos operacionais (investimento e financiamento são idênticos).
- Método Direto:
- Fluxo Operacional: Lista diretamente recebimentos (ex.: clientes, juros) e pagamentos (ex.: fornecedores, salários).
- Instrução Prática: Use razonetes ou fórmula: Saldo Inicial + Entradas - Saídas = Saldo Final (entradas/saídas dependem da natureza da conta).
- Exemplo: Recebimentos de Clientes = Vendas Líquidas + Variação em Duplicatas a Receber (ajustado por baixas).
- Observação: Obrigatória conciliação do lucro líquido com fluxo operacional se usado.
- Método Indireto (ou de Conciliação):
- Fluxo Operacional: Parte do lucro líquido/prejuízo, ajusta por:
- Itens sem efeito no caixa (ex.: + depreciação/amortização; - ganho de equivalência patrimonial; + despesa financeira não paga).
- Variações em contas operacionais: Ativo (soma reduções, subtrai acréscimos); Passivo (soma acréscimos, subtrai reduções).
- Instrução Prática: Lógica de débito/crédito na DFC (crédito = origem/soma; débito = aplicação/subtrai). Use para contas como duplicatas, estoques, fornecedores.
- Exemplo: Lucro Líquido + Depreciação - Resultado Positivo de Equivalência + Variações (ex.: - aumento em duplicatas; + aumento em fornecedores).
- Fluxo Operacional: Parte do lucro líquido/prejuízo, ajusta por:
Dicas e Considerações Finais
- Instruções Práticas: Treine com razonetes ou lógica rápida (ex.: "Se saldo aumentou em ativo, subtrai; em passivo, soma"). Verifique se variação total bate com diferença de caixa no BP.
- Erros Comuns: Confundir regimes; ignorar ajustes por depreciação/equivalência; não verificar se transações envolvem caixa real (ex.: integralização em bens não entra).
- Classificação Alternativa: Juros/dividendos podem ser reclassificados para investimento/financiamento se consistente.
A entidade deve apresentar os fluxos de caixa das atividades operacionais, usando alternativamente:
- o método direto, segundo o qual as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos são divulgadas; ou
- o método indireto, segundo o qual o lucro líquido ou o prejuízo é ajustado pelos efeitos de transações que não envolvem caixa, pelos efeitos de quaisquer diferimentos ou apropriações por competência sobre recebimentos de caixa ou pagamentos em caixa operacionais passados ou futuros, e pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados com fluxos de caixa das atividades de investimento ou de financiamento.
📝 Resumo da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
I. Conceitos Fundamentais e Obrigatoriedade
II. DFC vs. DRE
III. Caixa e Equivalentes de Caixa (Disponibilidades)
IV. Estrutura da DFC: Os Três Fluxos
A DFC explica a variação do caixa e equivalentes de caixa através de três fluxos de atividades:
V. Métodos de Elaboração da DFC
Existem dois métodos para a elaboração da DFC, sendo que a escolha é facultativa à entidade.
Observação: O Fluxo de Investimento (FI) e o Fluxo de Financiamento (FF) são apresentados de forma igual em ambos os métodos.
VI. Instruções e Exemplos Práticos
O que é a DFC?
Imagine que a DFC é um relatório especial sobre o dinheiro de verdade que entrou e saiu da conta de uma empresa durante um ano. Ela mostra as variações que ocorreram no dinheiro disponível, explicando por que a empresa terminou o ano com um saldo diferente do que começou.
Se a Demonstração do Resultado (DRE) mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo (o desempenho econômico), a DFC mostra se ela teve dinheiro no bolso (o desempenho financeiro).
A Regra do Dinheiro de Verdade (Regime de Caixa)
A contabilidade normalmente usa a "regra da promessa" (chamada regime de competência), onde se registra uma venda assim que ela é feita, mesmo que o cliente só pague daqui a um mês.
A DFC é uma exceção e usa a regra do dinheiro de verdade (chamada regime de caixa). Ela só se preocupa se o dinheiro entrou ou saiu da conta. Se a empresa vendeu R$ 100 mil, mas só recebeu R$ 20 mil, o lucro pode ser R$ 100 mil, mas a DFC só vai contar R$ 20 mil nesse momento.
O Dinheiro da DFC (Caixa e Equivalentes)
O "dinheiro" que a DFC rastreia é mais do que apenas as moedas e notas:
- Caixa: É o dinheiro em espécie e o que está disponível nos depósitos bancários à vista.
- Equivalentes de Caixa: São as aplicações financeiras que funcionam como um "cofre de alta liquidez". Elas precisam ser muito seguras (risco insignificante de mudança de valor) e podem ser convertidas em dinheiro rapidamente (em até três meses ou menos a partir da data de aquisição).
Os Três Baldes de Atividades (Fluxos)
Para explicar de onde veio ou para onde foi o dinheiro, a DFC separa todas as movimentações em três grandes grupos (ou baldes) de atividades:
1. Atividades Operacionais (FO)
Este é o balde da vida diária da empresa. O dinheiro que entra e sai da atividade principal que gera receita.
- Entradas: Dinheiro de vendas de mercadorias ou serviços.
- Saídas: Pagamentos a fornecedores, empregados, impostos e outras despesas usuais (como aluguel ou energia).
Objetivo: O fluxo operacional é o mais importante porque ele deve ser capaz de gerar caixa suficiente para manter a empresa funcionando sem precisar de ajuda externa.
2. Atividades de Investimento (FI)
Este é o balde do crescimento da empresa. O dinheiro é usado para comprar ou vender ativos que a empresa usará por muito tempo.
- Entradas: Dinheiro da venda de máquinas, terrenos, prédios (imobilizado) ou investimentos de longo prazo em outras empresas.
- Saídas: Dinheiro gasto na compra desses ativos de longo prazo ou quando a empresa empresta dinheiro a terceiros.
3. Atividades de Financiamento (FF)
Este é o balde dos patrocinadores da empresa. São atividades que mudam a quantidade e a composição do capital próprio (dos donos) ou do capital de terceiros (dívidas).
- Entradas: Dinheiro que entra quando os donos (sócios) colocam mais capital na empresa (emissão de ações) ou quando a empresa obtém empréstimos e financiamentos.
- Saídas: Pagamento do principal das dívidas (empréstimos) e o pagamento de dividendos (a remuneração para os sócios).
O Resultado Final da DFC
Quando somamos o resultado dos três baldes (Operacional + Investimento + Financiamento), o valor final é exatamente a variação líquida que houve no caixa e equivalentes de caixa da empresa entre o início e o fim do período.
Para entender o conceito da DFC, pense nela como o extrato da sua conta bancária (regime de caixa), em contraste com o seu boletim escolar (DRE, regime de competência). O boletim pode mostrar notas altas (lucro), mas o extrato (DFC) mostra se você realmente tem saldo, e de onde veio esse saldo (se foi do seu trabalho, de vender um bem, ou de um empréstimo do banco).
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), regida pelo CPC 03, é uma demonstração contábil essencial que fornece informações sobre as movimentações de caixa e equivalentes de caixa de uma entidade.
Os requisitos legais e a obrigatoriedade da DFC são definidos pela Lei das Sociedades por Ações (Lei nº 6.404/76, alterada pela Lei nº 11.638/2007) e pelo CPC 26:
-
Obrigatoriedade Legal (Lei 6.404/76, alterada pela Lei 11.638/2007):
- A DFC tornou-se obrigatória a partir de 2008, com a entrada em vigor da Lei nº 11.638/2007, que alterou a Lei nº 6.404/76. Essa alteração teve como objetivo integrar o Brasil às normas internacionais de contabilidade e substituiu a antiga Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR).
- É obrigatória para todas as companhias abertas.
- É obrigatória para companhias fechadas (sociedades anônimas ou empresas de grande porte) que possuam um Patrimônio Líquido (PL) igual ou superior a dois milhões de reais na data de encerramento do balanço (final do exercício).
- Companhias fechadas com PL inferior a R$ 2 milhões na data do balanço não são obrigadas a elaborá-la e publicá-la, conforme a Lei 6.404/76.
-
Obrigatoriedade Normativa (CPC 26):
- O CPC 26 exige que a DFC faça parte do conjunto completo das demonstrações contábeis.
- Na prática, o CPC 26 obriga todas as entidades a apresentarem a DFC, mesmo que a lei faculte a dispensa para companhias fechadas com PL inferior a R$ 2 milhões, sendo essa a prática adotada para as empresas de grande porte.
Objetivos Principais da DFC
O objetivo primário da DFC é fornecer informações sobre a variação histórica de caixa e equivalentes de caixa de uma entidade, classificando seus fluxos por atividades.
A DFC é fundamental por utilizar o regime de caixa, o que a torna uma exceção na contabilidade, que geralmente adota o regime de competência. Essa característica permite atingir os seguintes objetivos:
- Avaliar a Capacidade de Geração de Caixa Futuro: Proporcionar uma base para avaliar a capacidade da entidade de gerar fluxos de caixa positivos no futuro.
- Avaliar a Posição Financeira e Liquidez: Fornecer informações que permitam aos usuários avaliar a liquidez, solvência e flexibilidade financeira da entidade, bem como sua capacidade de honrar seus compromissos.
- Explicar a Variação do Disponível: Apresentar as movimentações (entradas e saídas) de dinheiro no caixa e equivalentes de caixa da organização. A DFC explica a origem dessas mudanças, que levam à variação líquida do caixa entre o início e o fim do período.
- Identificar a Qualidade do Caixa: Mostrar de que forma a organização gera e consome o caixa, permitindo avaliar a qualidade do caixa gerado (se veio das operações ou de empréstimos).
- Avaliar a Conversão do Lucro em Caixa: Indicar a parte do lucro líquido (apurado pelo regime de competência) que foi convertida em dinheiro (regime de caixa).
- Apoiar a Tomada de Decisão: Fornecer informações relevantes para as decisões econômicas, como estratégias de investimento e financiamento, e a avaliação de riscos de liquidez.
Requisito de Estrutura: Segregação de Fluxos
Um requisito legal e normativo fundamental para a elaboração da DFC é que as alterações no caixa e equivalentes de caixa devem ser segregadas em três tipos de atividades:
- Operacionais (FO): Principais atividades geradoras de receita e usuais da entidade.
- Investimento (FI): Aquisição e venda de ativos de longo prazo, como imobilizado, intangível e investimentos não classificados como equivalentes de caixa.
- Financiamento (FF): Atividades que alteram o tamanho e a composição do capital próprio e do capital de terceiros (endividamento), como empréstimos obtidos ou integralização de capital.
Essa segregação facilita a análise e compreensão dos fluxos, pois permite, por exemplo, visualizar se a geração de caixa está vindo das atividades principais da empresa.
Analogia:
Se as demonstrações financeiras fossem um exame médico completo, o Balanço Patrimonial mostraria a "foto" da sua constituição física (ativos e passivos), e a Demonstração do Resultado (DRE) mostraria se você teve "lucro" ou "prejuízo" em suas atividades (o desempenho econômico, usando o regime de competência). A DFC seria o seu extrato bancário detalhado, mostrando exatamente quanto dinheiro entrou e saiu (o desempenho financeiro, usando o regime de caixa), e classificando cada transação (se foi gasto com operação, investimento ou dívida) para que você avalie se está gerando riqueza suficiente para se sustentar e crescer no futuro.
Esta é uma excelente pergunta, pois trata do coração do método que a maioria das empresas utiliza para elaborar o seu Fluxo de Caixa Operacional (FCO), conhecido como Método Indireto.
Para explicar de forma fácil, imagine que você tem dois cadernos para registrar o dinheiro:
- O Caderno de Competência (Lucro Líquido): Registra quando a receita é ganha ou a despesa é incorrida, mesmo que o dinheiro não tenha entrado ou saído ainda. É o que a contabilidade chama de regime de competência.
- O Caderno de Caixa (Fluxo de Caixa Operacional): Registra apenas quando o dinheiro entra ou sai de fato. É o regime de caixa.
O ajuste é necessário porque o Lucro Líquido (Caderno de Competência) não mostra o dinheiro real que a empresa gerou em suas operações, e precisamos "converter" esse lucro para a visão do caixa.
O processo de ajuste do lucro líquido é feito em duas etapas principais:
1. Ponto de Partida: O Lucro Líquido
Você começa com o Lucro Líquido (ou prejuízo) que está na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).
2. Primeiro Ajuste: Removendo o que Não é Dinheiro ou Não é Operacional
Nesta etapa, você vai olhar para o Lucro Líquido e "desfazer" o impacto de itens que:
- Afetaram o lucro, mas não envolveram a saída/entrada de dinheiro real (itens que não afetam o caixa).
- Afetaram o lucro, mas não são da atividade principal da empresa (itens de Investimento ou Financiamento).
| Item no Lucro Líquido | Impacto no Lucro | Ajuste para o Fluxo de Caixa | Explicação Simplificada |
|---|---|---|---|
| Depreciação | Diminuiu (despesa) | Soma (+) | A despesa reduziu seu lucro, mas o dinheiro não saiu do caixa. Você devolve esse valor ao lucro. |
| Resultado de Equivalência Patrimonial (Ganho) | Aumentou (receita) | Subtrai (-) | É um aumento de lucro "no papel" (um reflexo de outra empresa), mas o dinheiro não entrou no seu caixa. Você remove esse ganho. |
| Lucro na Venda de Ativos | Aumentou (receita) | Subtrai (-) | O lucro da venda (ex: de um terreno) está no seu resultado, mas a venda em si é uma atividade de Investimento. Você remove o lucro para que apenas o valor total da venda (seja lucro ou não) seja tratado separadamente no fluxo de investimento. |
| Despesas Financeiras não Pagas (Juros) | Diminuiu (despesa) | Soma (+) | O juro foi reconhecido como despesa (reduziu o lucro), mas se não foi pago, o dinheiro não saiu do caixa. Você devolve esse valor. |
O resultado desse primeiro ajuste é chamado de Lucro Ajustado.
3. Segundo Ajuste: Ajustando o "Fiado" (Variações Patrimoniais Operacionais)
Agora, você ajusta o Lucro Ajustado pelas variações nas contas que são do dia a dia da empresa (operacionais), mas que foram registradas "a prazo" (fiado), como o estoque, as contas a receber e as contas a pagar.
A regra básica é observar a variação do saldo das contas no Balanço Patrimonial de um ano para o outro:
| Conta Operacional (de uso diário) | Variação de Saldo (Ano Atual - Ano Anterior) | Ajuste no Fluxo de Caixa | Explicação Simplificada |
|---|---|---|---|
| Ativo Operacional (Ex: Clientes a Receber, Estoques) | Aumento | Subtrai (-) | Se as Contas a Receber aumentaram, significa que você vendeu mais a prazo do que recebeu. O dinheiro que você esperava (o lucro) não entrou. |
| Ativo Operacional (Ex: Clientes a Receber, Estoques) | Diminuição | Soma (+) | Se as Contas a Receber diminuíram, significa que você recebeu dinheiro de dívidas antigas. |
| Passivo Operacional (Ex: Fornecedores a Pagar, Salários a Pagar) | Aumento | Soma (+) | Se Fornecedores a Pagar aumentou, significa que você comprou a prazo e não pagou. O dinheiro que seria gasto permaneceu no caixa. |
| Passivo Operacional (Ex: Fornecedores a Pagar, Salários a Pagar) | Diminuição | Subtrai (-) | Se Salários a Pagar diminuiu, significa que você pagou uma dívida. O dinheiro saiu do caixa. |
Conclusão
Após realizar o primeiro ajuste (removendo itens sem caixa ou não operacionais) e o segundo ajuste (compensando as variações dos "fiados"), a soma de todos esses valores resultará no Caixa Líquido Gerado ou Consumido nas Atividades Operacionais (FCO).
O Método Indireto (também chamado de Método da Conciliação) faz, portanto, uma ponte entre o lucro teórico e a realidade do dinheiro em caixa.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) segrega as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa em três categorias principais, para facilitar a avaliação do desempenho financeiro da entidade.
A seguir, detalhamos o que entra em cada um dos três fluxos de caixa, de acordo com os critérios estabelecidos nas fontes:
1. Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais (FO/FCAO)
As atividades operacionais são as principais atividades geradoras de receita da entidade, e incluem outras atividades que não se classificam como investimento ou financiamento. Geralmente, resultam de transações que entram na apuração do resultado (lucro ou prejuízo).
| Tipo de Fluxo | Exemplos e Detalhes | |
|---|---|---|
| Entradas de Caixa | Recebimentos de clientes pela venda de mercadorias ou prestação de serviços. | |
| Recebimentos decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas. | ||
| Recebimentos e pagamentos de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura. | ||
| Recebimentos de caixa por seguradora de prêmios e sinistros. | ||
| Recebimento de aluguéis e das vendas subsequentes de ativos mantidos para aluguel a terceiros. | ||
| Recebimentos de juros sobre empréstimos concedidos e aplicações financeiras, e recebimentos de dividendos e Juros sobre Capital Próprio (JSCP) de outras entidades (classificação principal, encorajada pelo CPC 03). | ||
| Recebimentos de duplicatas descontadas (antecipação de receitas geradas no ciclo operacional). | ||
| Saídas de Caixa | Pagamentos a fornecedores de mercadorias e serviços. | |
| Pagamentos a empregados ou por conta de empregados (salários, encargos sociais). | ||
| Pagamentos de despesas operacionais (aluguéis, despesas administrativas, etc.). | ||
| Pagamentos de impostos sobre a renda (IR e Contribuição Social), a menos que possam ser especificamente identificados com atividades de investimento ou financiamento (regra geral). | ||
| Pagamento de juros de empréstimos e financiamentos obtidos (classificação principal, encorajada pelo CPC 03). |
2. Fluxo de Caixa das Atividades de Investimento (FI/FCAI)
As atividades de investimento referem-se à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e outros investimentos que não estão incluídos nos equivalentes de caixa. Estão ligadas às contas do Ativo Não Circulante (Imobilizado, Intangível e Investimentos).
| Tipo de Fluxo | Exemplos e Detalhes | |
|---|---|---|
| Entradas de Caixa | Recebimentos da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo. | |
| Recebimentos da venda de instrumentos patrimoniais ou de dívida de outras entidades (ações ou títulos que a empresa detém). | ||
| Recebimento do principal de adiantamentos ou empréstimos concedidos a terceiros. Exceção: Se for instituição financeira, é operacional. | ||
| Saídas de Caixa | Pagamentos para aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo (inclui custos de desenvolvimento ativados e ativos de construção própria). (Deve ser pagamento à vista ou recebido/pago em caixa). | |
| Pagamentos para aquisição de instrumentos patrimoniais ou de dívida de outras entidades (compra de ações de coligadas, por exemplo). | ||
| Adiantamentos em caixa e empréstimos feitos a terceiros (concessão de empréstimos). Exceção: Se for instituição financeira, é operacional. |
3. Fluxo de Caixa das Atividades de Financiamento (FF/FCAF)
As atividades de financiamento resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital próprio e no capital de terceiros (passivo exigível). Estão ligadas principalmente aos empréstimos obtidos e ao Patrimônio Líquido (PL).
| Tipo de Fluxo | Exemplos e Detalhes | |
|---|---|---|
| Entradas de Caixa | Caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais (integralização de capital, desde que seja em dinheiro ou equivalente). | |
| Caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias, hipotecas e outros títulos de dívida de curto ou longo prazo (empréstimos obtidos). | ||
| Saídas de Caixa | Pagamentos em caixa para adquirir ou resgatar ações da própria entidade (ações em tesouraria). | |
| Amortização do principal de empréstimos e financiamentos obtidos, incluindo debêntures. (Os juros do empréstimo são geralmente operacionais). | ||
| Pagamento de dividendos e JSCP ou outras distribuições aos sócios (classificação principal, encorajada pelo CPC 03). | ||
| Pagamentos em caixa pelo arrendatário para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil/financeiro. |
É fundamental notar que, para qualquer item entrar na DFC, deve haver movimentação de caixa ou equivalentes de caixa. Transações de investimento e financiamento que não envolvem caixa (como a aquisição de um ativo pela assunção direta de um passivo ou a conversão de dívida em capital próprio) devem ser excluídas da DFC e divulgadas apenas em notas explicativas.
CPC 03 - Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
1. O que é a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)?
1.1. Caixa e Equivalentes de Caixa
| Moeda em espécie e depósitos bancários à vista. Equivalentes de Caixa = | |
| Aplicações financeiras de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em um montante conhecido de caixa e estão sujeitas a um risco insignificante de mudança de valor. Devem ter prazo de vencimento original de três meses ou menos. |
2. Classificação dos Fluxos de Caixa (CPC 03)
2.1. Atividades Operacionais (FO)
| Exemplos de Fluxos de Caixa Operacionais |
| Recebimento de vendas de mercadorias ou serviços. |
| Pagamento a fornecedores de mercadorias e serviços. |
| Pagamento de salários e encargos sociais. |
| Pagamento de impostos (exceto os relacionados a atividades de investimento ou financiamento). |
| Recebimento ou pagamento de juros (o CPC 03 permite classificar juros pagos e recebidos como operacionais, de investimento ou financiamento, mas a classificação operacional é a mais comum e aceita para fins de concurso). |
| Recebimento de dividendos (o CPC 03 permite classificar dividendos recebidos como operacionais ou de investimento). |
2.2. Atividades de Investimento (FI)
| Exemplos de Fluxos de Caixa de Investimento |
| Pagamento pela aquisição de Ativo Imobilizado (terrenos, edifícios, máquinas). |
| Pagamento pela aquisição de Ativo Intangível (patentes, softwares). |
| Recebimento pela venda de Ativo Imobilizado ou Intangível. |
| Pagamento pela aquisição de instrumentos de dívida ou de capital de outras entidades (exceto os classificados como equivalentes de caixa). |
| Recebimento pela venda de instrumentos de dívida ou de capital de outras entidades. |
2.3. Atividades de Financiamento (FF)
| Exemplos de Fluxos de Caixa de Financiamento |
| Recebimento de caixa pela emissão de ações ou outros instrumentos de capital. |
| Pagamento de caixa para resgatar ou adquirir ações próprias (treasury stock). |
| Recebimento de empréstimos, financiamentos e debêntures. |
| Pagamento de empréstimos, financiamentos e debêntures. |
| Pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio. |
3. Métodos de Elaboração da DFC
| Apresenta as principais classes de recebimentos e pagamentos brutos de caixa. É considerado mais informativo, mas exige um esforço maior na coleta de dados. Não é o método mais cobrado em concursos. método indireto: | |
| O fluxo de caixa das atividades operacionais é determinado ajustando-se o Lucro Líquido para refletir os efeitos de transações que não envolveram caixa (como depreciação, amortização, provisões) e as variações nos ativos e passivos operacionais (estoques, contas a receber, contas a pagar). É o método mais comum e o foco da aula e das questões da FCC. |
3.1. Foco no Método Indireto (Atividades Operacionais)
4. Transações que Não Envolvem Caixa
Exemplos de Transações que Não Envolvem Caixa |
Aquisição de ativos através da assunção direta de passivos (ex: compra de máquina a prazo). |
Aquisição de uma entidade por meio de emissão de ações. |
Conversão de dívida em capital próprio. |
Distribuição de dividendos em forma de ações. |
O resultado final da DFC deve ser igual à variação líquida do caixa e equivalentes de caixa entre o início e o fim do período.
1. Conceitos Fundamentais da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)
A DFC tem como objetivo evidenciar os fluxos de caixa e equivalentes (entradas e saídas de montantes de caixa e equivalentes) e deve explicar a variação do saldo de caixa entre o início e o fim do período
Os fluxos de caixa são segregados em três atividades principais:
Dica Teórica: O CPC 03 encoraja classificar juros pagos, juros recebidos e dividendos recebidos como Atividades Operacionais (AO), mas permite classificações alternativas (juros e dividendos recebidos como AI; juros e dividendos pagos como AF).
2. Cálculo do Fluxo de Caixa das Atividades Operacionais (FCO) - Método Indireto
O método indireto é o mais cobrado pela FCC e consiste em ajustar o Lucro Líquido do Exercício (apurado pelo regime de competência na DRE) para convertê-lo ao regime de caixa (FCO).
Passo 1: Ajustes na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)
O objetivo é anular os efeitos de despesas e receitas que não impactaram o caixa ou que são relativas a outras atividades (AI ou AF). O ajuste é sempre no sentido oposto ao que foi considerado na DRE.
Passo 2: Ajustes na Variação das Contas Operacionais (Balanço Patrimonial)
O objetivo é considerar os fatos permutativos que impactaram o caixa, mas não passaram pela DRE (e.g., recebimento de clientes, pagamento a fornecedores.
A demonstração dos fluxos de caixa, quando usada em conjunto com as demais demonstrações contábeis, proporciona informações que permitem que os usuários avaliem as mudanças nos ativos líquidos da entidade, sua estrutura financeira (inclusive sua liquidez e solvência) e sua capacidade para mudar os montantes e a época de ocorrência dos fluxos de caixa, a fim de adaptá-los às mudanças nas circunstâncias e oportunidades. As informações sobre os fluxos de caixa são úteis para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa e possibilitam aos usuários desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente dos fluxos de caixa futuros de diferentes entidades. A demonstração dos fluxos de caixa também concorre para o incremento da comparabilidade na apresentação do desempenho operacional por diferentes entidades, visto que reduz os efeitos decorrentes do uso de diferentes critérios contábeis para as mesmas transações e eventos.
5. Informações históricas dos fluxos de caixa são frequentemente utilizadas como indicador do montante, época de ocorrência e grau de certeza dos fluxos de caixa futuros. Também são úteis para averiguar a exatidão das estimativas passadas dos fluxos de caixa futuros, assim como para examinar a relação entre lucratividade e fluxos de caixa líquidos e o impacto das mudanças de preços. Definições
6. Os seguintes termos são usados nesta Norma, com os significados abaixo especificados: Caixa compreende numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis. Equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo, de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa. Atividades operacionais são as principais atividades geradoras de receita da entidade e outras atividades que não são de investimento e tampouco de financiamento. Atividades de investimento são as referentes à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa. Atividades de financiamento são aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital próprio e no capital de terceiros da entidade. Caixa e equivalentes de caixa
7. Os equivalentes de caixa são mantidos com a finalidade de atender a compromissos de caixa de curto prazo e, não, para investimento ou outros propósitos. Para que um investimento seja qualificado como equivalente de caixa, ele precisa ter conversibilidade imediata em montante conhecido de caixa e estar sujeito a um insignificante risco de mudança de valor. Portanto, um investimento normalmente qualifica-se como equivalente de caixa somente quando tem vencimento de curto prazo, por exemplo, três meses ou menos, a contar da data da aquisição. Os investimentos em instrumentos patrimoniais (de patrimônio líquido) não estão contemplados no conceito de equivalentes de caixa, a menos que eles sejam, substancialmente, equivalentes de caixa, como, por exemplo, no caso de ações preferenciais resgatáveis que tenham prazo definido de resgate e cujo prazo atenda à definição de curto prazo.
8. Empréstimos bancários são geralmente considerados como atividades de financiamento. Entretanto, saldos bancários a descoberto, decorrentes de empréstimos obtidos por meio de instrumentos como cheques especiais ou contas correntes garantidas que são liquidados em curto lapso temporal compõem parte integral da gestão de caixa da entidade. Nessas circunstâncias, saldos bancários a descoberto são incluídos como componente de caixa e equivalentes de caixa. Uma característica desses arranjos oferecidos pelos bancos é que frequentemente os saldos flutuam de devedor para credor.
9. Os fluxos de caixa excluem movimentos entre itens que constituem caixa ou equivalentes de caixa porque esses componentes são parte da gestão de caixa da entidade e, não, parte de suas atividades operacionais, de investimento e de financiamento. A gestão de caixa inclui o investimento do excesso de caixa em equivalentes de caixa.
Apresentação da demonstração dos fluxos de caixa.
10. A demonstração dos fluxos de caixa deve apresentar os fluxos de caixa do período classificados por atividades operacionais, de investimento e de financiamento.
11. A entidade deve apresentar seus fluxos de caixa advindos das atividades operacionais, de investimento e de financiamento da forma que seja mais apropriada aos seus negócios. A classificação por atividade proporciona informações que permitem aos usuários avaliar o impacto de tais atividades sobre a posição financeira da entidade e o montante de seu caixa e equivalentes de caixa. Essas informações podem ser usadas também para avaliar a relação entre essas atividades.
12. Uma única transação pode incluir fluxos de caixa classificados em mais de uma atividade. Por exemplo, quando o desembolso de caixa para pagamento de empréstimo inclui tanto os juros como o principal, a parte dos juros pode ser classificada como atividade operacional, mas a parte do principal deve ser classificada como atividade de financiamento.
Atividades operacionais.
13. O montante dos fluxos de caixa advindos das atividades operacionais é um indicador chave da extensão pela qual as operações da entidade têm gerado suficientes fluxos de caixa para amortizar empréstimos, manter a capacidade operacional da entidade, pagar dividendos e juros sobre o capital próprio e fazer novos investimentos sem recorrer a fontes externas de financiamento. As informações sobre os componentes específicos dos fluxos de caixa operacionais históricos são úteis, em conjunto com outras informações, na projeção de fluxos futuros de caixa operacionais.
14. Os fluxos de caixa advindos das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades geradoras de receita da entidade. Portanto, eles geralmente resultam de transações e de outros eventos que entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo.
Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades operacionais são: (a) recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços;
(b) recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas;
(c) pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços;
(d) pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empregados;
(e) recebimentos e pagamentos de caixa por seguradora de prêmios e sinistros, anuidades e outros benefícios da apólice;
(f) pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento; e
(g) recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis para venda futura.
Algumas transações, como a venda de item do imobilizado, podem resultar em ganho ou perda, que é incluído na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Os fluxos de caixa relativos a tais transações são fluxos de caixa provenientes de atividades de investimento. Entretanto, pagamentos em caixa para a produção ou a aquisição de ativos mantidos para aluguel a terceiros que, em sequência, são vendidos, conforme descrito no item 68A da NBC TG 27 – Ativo Imobilizado, são fluxos de caixa advindos das atividades operacionais. Os recebimentos de aluguéis e das vendas subsequentes de tais ativos são também fluxos de caixa das atividades operacionais.
15. A entidade pode manter títulos e empréstimos para fins de negociação imediata ou futura (dealing or trading purposes), os quais, no caso, são semelhantes a estoques adquiridos especificamente para revenda. Dessa forma, os fluxos de caixa advindos da compra e venda desses títulos são classificados como atividades operacionais. Da mesma forma, as antecipações de caixa e os empréstimos feitos por instituições financeiras são comumente classificados como atividades operacionais, uma vez que se referem à principal atividade geradora de receita dessas entidades.
Atividades de investimento.
16. A divulgação em separado dos fluxos de caixa advindos das atividades de investimento é importante em função de tais fluxos de caixa representarem a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela entidade com a finalidade de gerar lucros e fluxos de caixa no futuro. Somente desembolsos que resultam em ativo reconhecido nas demonstrações contábeis são passíveis de classificação como atividades de investimento.
Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de investimento são:
(a) pagamentos em caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo. Esses pagamentos incluem aqueles relacionados aos custos de desenvolvimento ativados e aos ativos imobilizados de construção própria;
(b) recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo;
(c) pagamentos em caixa para aquisição de instrumentos patrimoniais ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto aqueles pagamentos referentes a títulos considerados como equivalentes de caixa ou aqueles mantidos para negociação imediata ou futura);
(d) recebimentos de caixa provenientes da venda de instrumentos patrimoniais ou instrumentos de dívida de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto aqueles recebimentos referentes aos títulos considerados como equivalentes de caixa e aqueles mantidos para negociação imediata ou futura);
(e) adiantamentos em caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e empréstimos feitos por instituição financeira);
(f) recebimentos de caixa pela liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e empréstimos de instituição financeira);
(g) pagamentos em caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou futura, ou os pagamentos forem classificados como atividades de financiamento; e
(h) recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classificados como atividades de financiamento.
Quando um contrato for contabilizado como proteção (hedge) de posição identificável, os fluxos de caixa do contrato devem ser classificados do mesmo modo como foram classificados os fluxos de caixa da posição que estiver sendo protegida.
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