FIGURAS DE LINGUAGEM

 

FIGURAS DE LINGUAGEM

Aula 01


O estudo das figuras de linguagem para concursos públicos exige a superação da mera identificação de fórmulas isoladas. A banca costuma extrair passagens do próprio texto da prova para avaliar a intencionalidade discursiva, a concorrência de múltiplos recursos expressivos em um mesmo trecho e a fronteira precisa entre oposições estritamente lexicais e contradições lógico-ideológicas.


A prova raramente cobra conceitos descontextualizados. Ela opera a partir de três mecanismos centrais:

  1. Predominância estilística: Em frases com sobreposição de figuras, o enunciado comanda identificar a figura prevalente ou a função discursiva determinante.

  2. Oposição de sentido versus contradição lógica: Diferenciação rigorosa entre antítese (antônimos no plano vocabular) e paradoxo (incompatibilidade lógica irreconciliável).

  3. Recursos de coesão, sintaxe e pontuação: Avaliação de como figuras de sintaxe (como o assíndeto) geram aberturas interpretativas e ambiguidades intencionais no texto.

Detalhamento dos Grupos e Figuras de Linguagem

1. Figuras de Palavras e Semântica (Tropos)

  • Metáfora: Transferência de significado por analogia ou similaridade implícita, sem o emprego de conectivo comparativo formal.

  • Exemplo: "A sociedade é um conjunto de possibilidades e análises das pedras do universo".

  • Comparação (Símile): Confronto analógico explícito entre dois termos mediado por conectores formais (como, tal qual, tanto quanto, mais... que).

  • Regra prática: A presença formal do conector transforma a relação metafórica em comparação.

  • Exemplo com regência correlativa: "As pessoas são tais qual a vida que levam" (tal concorda com o termo antecedente; qual, com o consequente).

  • Metonímia: Substituição semântica baseada em uma relação de contiguidade material, factual ou causal entre os termos.

  • Autor pela obra: "Adorava ler Machado de Assis na infância".

  • Causa pelo efeito (ou vice-versa): "Viver do trabalho" (dos rendimentos gerados por ele); "Os aviões semearam a morte" (mísseis/bombardeios).

  • Continente pelo conteúdo: "Bebeu duas garrafas" (o líquido contido no recipiente).

  • Marca pelo produto: "Fazer a barba com gilete".

  • Sinestesia: Fusão de múltiplos campos sensoriais em uma única expressão, abrangendo tanto a mescla entre sentidos físicos diferentes (visão, tato, olfato, gustação, audição) quanto a fusão entre o domínio físico-concreto e o imaterial-abstrato.

  • Sentidos físicos combinados: "Ouvir sua tosse gorda" (audição + visão); "Sentir um perfume gostoso" (olfato + paladar).

  • Físico com metafísico: "Não se consegue sentir o mundo a partir de experiências apenas pessoais"; "Só leve esperança em toda vida" (leveza física associada à abstração).

  • Catacrese: Metáfora desgastada e dicionarizada que, pela ausência de um vocábulo técnico específico no léxico usual, passa a nomear permanentemente um objeto por empréstimo.

  • Exemplos: "Pé da mesa", "asa da xícara", "embarcar no avião", "dente de alho", "braço da cadeira", "o motor morreu".

  • Perífrase e Antonomásia:

  • Perífrase: Substituição de um substantivo ou conceito por uma locução descritiva equivalente que o torne imediatamente reconhecível.

  • Exemplos: "Astro-Rei" (Sol), "País do futebol" (Brasil), "Última flor do Lácio" (língua portuguesa).

  • Antonomásia: Subespécie da perífrase restrita à designação perifrástica de pessoas célebres ou entidades individualizadas.

  • Exemplos: "Rainha dos baixinhos", "O único autor português ganhador do Nobel de Literatura" (José Saramago).

2. Figuras de Pensamento

  • Antítese: Aproximação textual de termos estritamente contrários no plano vocabular (antônimos formais), sem que haja impossibilidade lógica ou quebra da coerência racional.

  • Exemplo: "Ninguém é totalmente bom ou ruim"; "Ricos e pobres devem se submeter às leis".

  • Paradoxo (Oxímoro): Proposição que expressa uma contradição no plano ideológico e conceitual, unindo ideias inconciliáveis que desafiam a lógica denotativa.

  • Exemplo com antítese simultânea: "Pessoas boas fazem coisas ruins" (reúne antônimos e contradição conceitual).

  • Exemplo de paradoxo exclusivo (sem antítese): "Pessoas boas fazem coisas não tão boas" ou "O Brasil é um país rico, mas o povo passa fome" (ausência de antônimos perfeitos, mantida a incompatibilidade de ideias).

  • Ironia: Emprego de um termo ou enunciado com sentido intencionalmente oposto ao literal, gerando efeito sarcástico, crítico ou humorístico dependente do contexto.

  • Exemplo: "A Transamazônica é uma bela obra de engenharia que serve para ligar nada a lugar nenhum".

  • Eufemismo: Emprego de expressões atenuadas e brandas para suavizar realidades desagradáveis, ofensivas ou dolorosas.

  • Exemplos: "Faltar com a verdade" (mentir); "Enriqueceu por meios ilícitos" (roubou); "Entregou a alma a Deus" (faleceu).

  • Hipérbole: Exagero intencional e expressivo empregado para amplificar o impacto comunicativo de um enunciado.

  • Exemplos: "Morrendo de fome/sede" (muita fome/sede); "Já lhe disse mais de mil vezes".

  • Gradação: Enumeração ordenada de ideias ou vocábulos em escala hierarquizada, que pode ser progressiva/ascendente (clímax) ou regressiva/decrescente (anticlímax).

  • Ascendente: "Nascer, adolecer, adoecer, envelhecer e morrer".

  • Decrescente: "Um mês, um dia, uma hora que fosse...".

  • Prosopopeia (Personificação): Atribuição de faculdades, sentimentos e ações exclusivamente humanas a entidades inanimadas, animais ou conceitos abstratos.

  • Exemplo: "As paredes do quarto lhe dessem a resposta"; "A lua era a única testemunha".

  • Contraposição teórica (Zoomorfização/Animismo): O caminho inverso, consistente em atribuir traços e comportamentos estritamente animais a seres humanos (exemplo: "A moça deu uma patada no rapaz").

  • Apóstrofe: Chamamento, invocação ou interpelação enfática de uma entidade real, personificada ou divina, correspondendo funcionalmente à figura sintática do vocativo.

  • Exemplo: "Senhor Deus, onde estás?"; "Votem, eleitores, com consciência!".

3. Figuras de Sintaxe (Construção)

  • Elipse e Zeugma:

  • Elipse: Supressão contextual de um termo gramatical facilmente deduzível pela estrutura oracional, dispensando menção prévia.

  • Exemplo: "Na sala, apenas quatro convidados" (supressão do verbo havia); "Cheguei cedo" (elipse do pronome eu).

  • Zeugma: Modalidade restrita de elipse caracterizada pela omissão de um termo que já foi explicitamente mencionado no texto, possuindo referente obrigatório.

  • Exemplo: "Uns faltam com a verdade por medo; outros [faltam com a verdade], por gosto"; "Ele prefere cinema; eu, teatro".

  • Polissíndeto e Assíndeto:

  • Polissíndeto: Repetição deliberada e reiterada de conectivos coordenativos interligando orações ou termos oracionais para conferir ritmo insistente e ênfase.

  • Exemplo: "E sobre as ondas... e sobre as nuvens... e sobre as pontes...".

  • Assíndeto: Omissão sistemática de conjunções entre termos ou orações coordenadas, resultando em construções fragmentadas e abertas a múltiplas leituras.

  • Impacto interpretativo: Ao omitir conectivos lógicos em sequências como "Chegou ao local, viu o rapaz, foi embora", cria-se uma lacuna semântica deliberada. Não se explicita se partiu em razão de ter visto a pessoa (consequência), se o objetivo inicial era vê-la (finalidade) ou se fugiu após o encontro (causa). Cabe ao leitor o preenchimento pragmático dessas lacunas.

  • Hipérbato (Inversão Sintática): Alteração radical da ordem direta/canônica da oração (Sujeito + Verbo + Complemento + Adjunto Adverbial) para realçar o termo antecipado.

  • Anástrofe: Inversão leve e natural dos termos sintáticos que não obstrui nem prejudica a imediata compreensão do enunciado.

  • Sínquise: Inversão violenta e complexa da ordem vocabular, provocando grave comprometimento na fluidez semântica imediata.

  • Exemplo clássico: O Hino Nacional Brasileiro ("Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante").

  • Silepse (Concordância Ideológica): Ruptura com a concordância sintática formal para concordar com a ideia subjacente ou referente mental do termo.

  • De gênero: "Vossa Excelência está preocupado" (adjetivo masculino concordando com o sexo biológico do interlocutor, contrariando o gênero gramatical feminino do pronome de tratamento).

  • De número: "Os Lusíadas glorificou nossa literatura" (verbo singular concordando com a ideia de obra única, contrariando a terminação plural do título).

  • De pessoa: "Os brasileiros persistamos em comer..." (terceira pessoa do plural gramatical concordando com a primeira pessoa do plural pelo fato de o falante se incluir no grupo).

  • Anacoluto: Quebra brusca na estrutura sintática formal do período, deixando um termo inicial isolado e desprovido de função sintática conectada ao restante da oração.

  • Exemplo: "A vida, não sei se ela vale alguma coisa"; "Eu, enganaram-me todos os amigos".

  • Pleonasmo: Emprego de termos redundantes para reforçar o teor da mensagem.

  • Estilístico/Literário: "Rir meu riso", "Ver com estes próprios olhos".

  • Vicioso (inaceitável em textos formais): "Há dez anos atrás" (combinação redundante do verbo impessoal temporal haver com o advérbio atrás).

  • Anáfora: Repetição sistemática da mesma palavra ou locução no início de versos, orações ou parágrafos subsequentes.

  • Distinção crucial: A figura estilística da anáfora (repetição fônica e vocabular no início de frases) não deve ser confundida com a anáfora coesiva da sintaxe textual (mecanismo pronominal de retomada de termos antecedentes) nem com o polissíndeto (repetição exclusiva de conjunções).

  • Epíteto: Associação elogiosa ou qualificadora intrínseca que mobiliza atributos pertencentes ao universo constitutivo do próprio substantivo que qualifica.

  • Exemplo: "A criança era inocente e infantil".

4. Figuras de Som (Harmonia)

  • Aliteração: Repetição sistemática e expressiva de fonemas consonantais idênticos ou articulados na mesma região.

  • Exemplo: "Esperando parada pregada na pedra do porto" (alusão à imobilidade pelo fonema oclusivo /p/).

  • Assonância: Repetição ordenada e expressiva de fonemas vocálicos idênticos ao longo de uma frase ou verso.

  • Exemplo: "E bamboleando em ronda dançam bambus tontos bandos" (repetição de vogais nasais expressando movimento ondulatório).

  • Paronomásia: Aproximação proposital de palavras foneticamente semelhantes (parônimos), mas com sentidos distintos, comumente utilizada para produzir trocadilhos sonoros.

  • Exemplo: "Eu que passo, penso e peço"; "Além de incipiente [iniciante], o homem mostrou-se insipiente [ignorante]".

  • Onomatopeia: Criação de vocábulos que buscam reproduzir acusticamente ruídos mecânicos, da natureza ou de animais.

  • Exemplo: "Tic-tac", "blem-blem", além de verbos dicionarizados oriundos de sons (cacarejar, mugir).

5. Estratégias Argumentativas e Conceitos Complementares

A professora ressalva que os recursos a seguir não configuram figuras de linguagem propriamente ditas, mas figuram frequentemente no repertório de enunciados da banca como opções de resposta ou estratégias de progressão textual:

  • Analogia: Método dissertativo de sustentação argumentativa que desenvolve e desdobra uma hipótese central por meio de comparações sistemáticas e estendidas.

  • Exemplo: Explicar a dinâmica de adequação aos registros linguísticos comparando a língua a um guarda-roupa que exige peças formais ou casuais conforme a circunstância.

  • Catarse Discursiva: Apresentação do fluxo de consciência do narrador de forma contínua e torrencial, sem interrupções por pontos finais, gerando períodos sintaticamente extensos e verborrágicos (estilo característico de autores como José Saramago).

  • Alegoria: Estrutura discursiva contínua formada pelo encadeamento de múltiplas metáforas integradas que constroem uma correspondência simbólica global.

Quadro Comparativo de Fronteiras Conceituais

Par Comparativo

Distinção Conceitual Determinante

Critério Prático em Questões de Prova

Metáfora versus Comparação (Símile)

A metáfora opera uma transferência de sentido sem conectivo explícito; a comparação traz o nexo coesivo evidente.

Busque termos como como, tal qual, tanto quanto. Se houver conectivo formal, marque comparação.

Antítese versus Paradoxo

A antítese reside no plano das palavras (antônimos textuais); o paradoxo opera no plano conceitual (contradição ideológica inconciliável).

Verifique se a oposição é apenas lexical (antítese) ou se a coexistência lógica das duas ideias é inviável na realidade (paradoxo).

Elipse versus Zeugma

Toda zeugma é uma elipse, mas nem toda elipse é uma zeugma. A zeugma exige menção textual antecedente (possui referente explícito no texto).

O termo omitido já apareceu no período? Se sim, ocorre zeugma; se foi apenas deduzido pela sintaxe geral, trata-se de elipse.

Anástrofe versus Sínquise

Ambas são formas de hipérbato. A anástrofe é uma inversão simples que mantém a clareza; a sínquise é uma inversão complexa que trunca o sentido imediato.

Se a inversão sintática exige desconstrução analítica minuciosa para encontrar o sujeito e seus complementos, classifica-se como sínquise.

Anáfora versus Polissíndeto

A anáfora repete qualquer palavra no início de segmentos; o polissíndeto repete estritamente conjunções coordenativas ao longo do período.

Analise a classe gramatical repetida e a sua posição. Repetição na abertura de membros paralelos caracteriza anáfora.

Conclusão e Diretrizes de Resolução

A análise de figuras de linguagem em certames demanda examinar a frase em sua totalidade orgânica. Diante de questões de múltipla escolha:

  1. Verifique se o trecho apresenta mais de uma figura simultaneamente (por exemplo, um vocábulo que compõe antítese vocabular enquanto o período constrói um paradoxo lógico).

  2. Priorize o comando do enunciado: se o examinador questiona a figura preponderante, identifique se a ênfase repousa na imagem semântica (metáfora/alegoria), no arranjo sintático (inversão/elipse) ou na intenção pragmática (ironia/eufemismo).

  3. Em provas discursivas e redações, evite sínquises, anacolutos e assíndetos excessivos, priorizando a ordem direta para eliminar aberturas interpretativas e ambiguidades que comprometam a clareza.


Aula 02

A resolução de questões sobre figuras de linguagem e estilística textual exige rapidez no reconhecimento dos mecanismos de sentido e de construção gramatical [07:33]. Mais do que memorizar nomes isolados, o candidato precisa distinguir os diferentes níveis em que a linguagem atua, separando as relações de sentido real e figurado, os desvios intencionais da sintaxe canônica e as formas de diálogo entre textos [12:19, 41:26].

Conceitos-Chave e Fundamentação Técnica

1. Planos Semânticos: Denotação e Conotação

  • Sentido Denotativo: Uso literal, objetivo e informacional da palavra, correspondendo à definição dicionarizada direta do termo [47:23].

  • Sentido Conotativo (Figurado/Metafórico): Emprego expressivo, criativo e contextualizado, em que o vocábulo ganha novos contornos e significações que extrapolam sua acepção estrita [47:35].

2. Figuras de Palavras e Pensamento

  • Antítese: Aproximação de palavras, conceitos ou pensamentos opostos no plano semântico, estabelecendo contraste direto entre termos contrários [08:21].

    • Exemplo da aula: A oposição conceitual entre "dissoluções" e "integrações" [10:40].

  • Metáfora: Transferência subjetiva de significado com base em uma relação de similaridade implícita entre universos distintos, sem a presença de conectivo de comparação [13:55, 22:12].

    • Distinção com a Comparação (Símile): A metáfora une os termos diretamente ("O mundo será um ermo melancólico" ou "Eu sou coqueiro"), enquanto a comparação explicita o nexo por conectores como como, tal qual, assim como ("Eu sou como um coqueiro") [14:22, 22:20, 28:46].

  • Catacrese: Metáfora que se cristalizou e se incorporou de forma definitiva ao uso corrente da língua, suprindo a carência de um termo próprio no léxico formal [29:32].

    • Exemplos: "Perna da mesa", "braço da cadeira", "asa da xícara", "dente de alho" [30:06].

  • Paradoxo (Oxímoro): Construção que reúne ideias aparentemente inconciliáveis e mutuamente excludentes, desafiando a lógica estrita [29:12, 30:16].

  • Prosopopeia (Personificação ou Animismo): Atribuição de sentimentos, condutas ou características estritamente humanas a seres inanimados, entidades abstratas ou não humanos [21:41, 34:03].

    • Exemplo da aula: Classificar "um jogo" como "sombrio e secreto" [36:17].

  • Metonímia: Substituição semântica operada por proximidade de sentido ou contiguidade lógica material, como a tomada da parte pelo todo, do continente pelo conteúdo ou do autor pela obra [37:04].

    • Exemplo da aula: "Os olhos de Te enlouquecem" referindo-se à pessoa de Te em sua totalidade [36:39].

3. Figuras de Sintaxe e Construção

  • Inversão Sintática (Hipérbato, Anástrofe e Sínquise): Ruptura da ordem canônica e direta da oração (Sujeito + Verbo + Complemento + Adjunto Adverbial) com finalidade estilística ou de realce [41:26, 44:20]. O professor classifica os graus de inversão em três níveis:

    • Anástrofe: Inversão suave e sutil, que não compromete a clareza da mensagem [41:40, 43:19].

    • Hipérbato: Inversão em grau intermediário [42:00, 43:19].

    • Sínquise: Inversão complexa e violenta, que altera profundamente a concatenação dos elementos e dificulta a imediata apreensão do sentido, como ocorre na abertura do Hino Nacional Brasileiro ("Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante", cuja ordem direta é: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico) [42:00, 44:01].

  • Silepse: Concordância ideológica que se estabelece não com a palavra expressa gramaticalmente, mas com a ideia mental a ela subjacente [22:50].

  • Anacoluto: Interrupção intencional do encadeamento sintático, deixando um elemento inicial sem vínculo gramatical com o restante da frase [42:53].

4. Recursos Textuais e Argumentativos

  • Intertextualidade: Diálogo e relação explícita ou implícita entre textos, em que uma produção incorpora, cita ou dialoga com a autoridade de outra (como menções à legislação, à Constituição Federal, à jurisprudência ou a relatórios institucionais para fundamentar a tese) [12:19, 14:41].

  • Metalinguagem: Emprego do próprio código para explicar, descrever ou analisar o próprio código (por exemplo, palavras explicando palavras, ou a linguagem discorrendo sobre a linguagem) [14:32].

Resumo Comparativo das Distinções Críticas

Figura ou Recurso

Mecânica Central

Critério Diferencial em Provas

Metáfora

Comparação implícita e subjetiva de universos diferentes [13:55].

Ausência de conectivo comparativo formal [22:20].

Comparação (Símile)

Confronto analógico expresso [14:22].

Presença de conectivo comparativo evidente (como, tal qual) [22:29].

Catacrese

Metáfora lexicalizada e desgastada pelo uso comum [29:32].

Emprego consagrado por falta de termo técnico próprio [30:06].

Antítese

Oposição lexical de palavras ou conceitos [08:21].

Termos antagônicos sem contradição lógica irreconciliável [10:40].

Paradoxo

Contradição interna de ideias conceituais [29:12].

Ideias aparentemente incompatíveis no plano lógico [30:16].

Prosopopeia

Humanização de entes inanimados ou não humanos [21:41].

Atribuição de ação, sentimento ou traço humano [36:17].

Metonímia

Substituição por relação de contiguidade material [37:04].

Emprego da parte pelo todo, autor pela obra, causa pelo efeito [37:14].

Intertextualidade

Menção ou citação de texto alheio dentro da peça [12:19].

Apoio textual em normas, autores ou fontes externas [14:50].

Resolução de Itens e Gabaritos das Questões Trabalhadas

  • Questão 1 (Antítese): No trecho "todo novo conhecimento provoca dissoluções e integrações", a antítese configura-se pela oposição lexical direta entre os substantivos contrários destacados. Gabarito: D [10:40].

  • Questão 2 (Relação entre textos): O mecanismo de citação explícita de dispositivo de lei para fundamentar argumentos discursivos configura intertextualidade, não metalinguagem nem analogia. Gabarito: B [14:41].

  • Questão 3 (Análise de recursos textuais): Em texto satírico desprovido de levantamentos numéricos formais, constata-se a ausência de dados estatísticos, figurando apenas datas e anos isolados. Gabarito: B [17:24].

  • Questão 4 (Metáfora em canção): Nos versos "sou coqueiro", "sou paixão" e "sou desejo", há metáfora, pois o eu lírico afirma categoricamente a identidade com os seres sem conectivo comparativo. Gabarito: A [21:05, 22:12].

  • Questão 5 (Trecho literário de Herculano): A passagem "o mundo será um ermo melancólico" constitui metáfora pura, substituindo a realidade material por uma imagem figurada subjetiva. Gabarito: C [28:46].

  • Questão 6 (Prosopopeia): A aplicação das qualificações humanas "sombrio e secreto" a um substantivo inanimado ("um jogo") configura prosopopeia; por outro lado, na alternativa com "os olhos de Te", ocorre metonímia (a parte pelo todo). Gabarito: E [36:17, 37:14].

  • Questão 7 (Inversão sintática): O enunciado "tremia ela muito" inverte a ordem natural (ela tremia muito), configurando inversão sintática (hipérbato em sentido amplo ou anástrofe). Gabarito: B [41:40].

  • Questão 8 (Sentido figurado contextual): A expressão "carrego um sonho" utiliza a palavra sonho em sentido conotativo (desejo, aspiração de vida), em oposição a termos denotativos como bandeira, objeto ou sebo. Gabarito: A [47:02].

  • Questão 9 (Conotação e metáfora): A locução "minha azeda verdade" mobiliza o adjetivo azeda de forma conotativa/metafórica fora do campo sensorial gustativo estrito. Gabarito: D [49:08].

  • Questão 10 (Classificação estilística): A relação subjetiva no trecho "entre o elogio que desvanece a restrição que me deprime" encerra confronto e comparação analítica. Gabarito: A [54:01].


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